eu ando de chinelos pelo inverno
vou ostentando minha futilidade pelas ruas desertas
cruzando muitas vidas
diferentes
andando por onde as pessoas andam quando estão acordadas
procurando o que há muito tempo perdi
minha cédula de identidade
e é quando batemos de frente
nossos idealismos com a realidade
e nunca falamos o que devíamos
nunca o tempo é o suficiente
nunca estamos acordados para o que não podemos ver
e não nos contam a verdade,
aquela que nunca foi dita
o mundo girou contra o sol e ninguém não viu
o limite exato que é o limiar da loucura
de não viver uma vida padrão
nada é o que não pode ser
qual o limite da perfeição?
que não é o quê, que não é
não repetiríamos nossas ações
e nunca perderíamos nossos pais
e o big bang que foi comprovado
e que darwin não passa de um macaco
e ninguém mais faz dinheiro com arte
citações em suas músicas
prédios amontoados
escassez de água
emancipe-se da escravidão cerebral
e prestes a deletar
apesar da memória renitente
e tudo vira, muda de posição
perto ou longe da realidade
revolucionários viram cantores
cantores viram revolucionários
e o que se há para resgatar
são as ilusões perdidas de outrora
nunca mais, de modo que não vais
censurar as suas rimas e escritos agora
com medo de que tudo venha a desmoronar
seus ciclos, seu mundo, sua vida afora
e mesmo assim tenha como e com quem contar
existirá a negação do negativismo
e a força toda que reunira
explode no ciclo que virá
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