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domingo, 11 de maio de 2008

(2006) Ciclo da vida afora

eu ando de chinelos pelo inverno
vou ostentando minha futilidade pelas ruas desertas
cruzando muitas vidas
diferentes
andando por onde as pessoas andam quando estão acordadas
procurando o que há muito tempo perdi
minha cédula de identidade
e é quando batemos de frente
nossos idealismos com a realidade
e nunca falamos o que devíamos
nunca o tempo é o suficiente
nunca estamos acordados para o que não podemos ver
e não nos contam a verdade,
aquela que nunca foi dita
o mundo girou contra o sol e ninguém não viu
o limite exato que é o limiar da loucura
de não viver uma vida padrão
nada é o que não pode ser
qual o limite da perfeição?
que não é o quê, que não é
não repetiríamos nossas ações
e nunca perderíamos nossos pais
e o big bang que foi comprovado
e que darwin não passa de um macaco
e ninguém mais faz dinheiro com arte
citações em suas músicas
prédios amontoados
escassez de água
emancipe-se da escravidão cerebral
e prestes a deletar
apesar da memória renitente
e tudo vira, muda de posição
perto ou longe da realidade
revolucionários viram cantores
cantores viram revolucionários
e o que se há para resgatar
são as ilusões perdidas de outrora
nunca mais, de modo que não vais
censurar as suas rimas e escritos agora
com medo de que tudo venha a desmoronar
seus ciclos, seu mundo, sua vida afora
e mesmo assim tenha como e com quem contar
existirá a negação do negativismo
e a força toda que reunira
explode no ciclo que virá

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