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Curitiba, Paraná, Brazil

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Biografia de uma ex-puta de luxo recém-crente

Vamos a uma pequena cantante:
Eu sou o cara da agenda cultural, o Dom Quixote propagador da cultura em Curitiba. Pois bem.
Vou quase sempre nos eventos da Livraria Curitiba.
Fui em um encontro sobre o estilo musical "choro" em Curitiba. Somente eu e mais um espectador, além da organizadora e a palestrante.
Hoje fui dar uma espiada no lançamento da biografia da Andressa Urach. Achei que estaria vazio.
Mas me deparei com um formigueiro humano. O que me fez pensar...
Onde estavam essas pessoas quando da palestra sobre o movimento do choro em Curitiba?
Não. Não estavam. Não existiam. Não estavam sequer cientes.
Agora... O que leva um formigueiro humano ao lançamento de uma ex prostituta de luxo?
Religião.
Religião, não. IGREJA.
Eu vi cada ser humano daquele carregando dois ou 3 livros. E pensei... Por quê será?
Se cada um só tem um cérebro, um par de olhos... Só pode ser uma ORDEM. Uma ordem vinda de pastores da Igreja Universal.
Aí tudo formou sentido. Nada como uma pecadora "FAMOSA" para angariar fiéis. E holofotes. Estes homens de negócio não estão para brincadeira.
Depois que o quebra-cabeças se fechou, só os vi como peões. Peões na fila do lanche na praça de alimentação, peões na fila de fotos na livraria. Peões correndo atrás do ônibus. Cada um com 2 ou 3 exemplares a tira-colo.
Isso explica MUITO sobre nossa cultura. Sobre hábito de leitura. Sobre MANIPULAÇÃO DE MASSAS.
Algumas casadas, algumas solteiras, algumas negras, algumas brancas, mas quase 100% mulheres.
Que estão obedecendo a um ou mais pastores, para comprar dois ou mais exemplares do livro. Que rezam para essa pecadora "arrependida" (???), que apóiam um golpe de marketing. Que são formiguinhas e não se dão conta.
Quem ganha com isso? A quem e a quais interesses?
Já tive vergonha, nojo, raiva e pena dos peões dessa história. Assim como já tive nojo, asco, raiva e por fim até admiração pelos "bispos" deste xadrez e pelo "rei" do tabuleiro.
Andressa Urach arrependida ou só mais uma autopromoção bem sucedida? Macedo filho da puta ou gênio? E as pobres são burras porque usam cabresto ou usam cabresto porque são usadas como burras de carga?
Deixo aí a reflexão.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Cotas

Cotas... Vamos lá... Se é um deficiente MENTAL, obviamente que não pode exercer qualquer função. Vai acabar virando empacotador de supermercado. Se é deficiente FÍSICO, também obviamente não será um agente de campo da Polícia Federal (por exemplo). Mas se tem mentalidade sã para prestar e passar numa prova de concurso, não deveria ter direito a ser cotista. Assim como os pretos. É o próprio preconceito institucionalizado. Quem disse que preto e deficiente não pode pensar igual aos outros, fazer (e passar) em uma prova? A limitação não é mental e sim física (no caso dos cadeirantes); e NEM mental e NEM física no caso de quantidade de melanina na derme (pretos). Retardado, tudo bem... Que arrume-se uma outra função. Ou internamento, ou a família que cuide, ou que seja empacotador mesmo, whatever. Agora... Mas preto e deficiente acho que desmoraliza a pessoa e a coloca pra baixo (embora querendo colocá-la "para cima"). Acho tudo isso uma bobagem. É o preconceito institucionalizado pelo governo esquerdopata. E o pior é que uma boa parte do gado (chamado sociedade) concorda e bate palma. E ainda vão me xingar porque utilizei as palavras "preto" e "retardado". Ignorando-se a totalidade o discurso. Vai ser a prova cabal de que o povo é GADO mesmo.

Dilma

O demônio não gosta de ser contrariado.
Quando vira de costas, o demônio vira Medusa.
O demônio quer ser o dono da razão.
O demônio parece a mistura da Dilma Rousseff com o sr. Richfield.
O demônio te irrita com interjeições e trejeitos.
O demônio fala alto.
O demônio te visita todo dia quando tem azar. E uma vez por semana quando tem sorte.
O demônio lê 50 Tons de Cinza no banheiro e volta fedendo a buceta.
O demônio é temido.
O demônio acha que pode mas não pode.
O demônio deveria se aposentar. Ou morrer.
O demônio vai pro lado de lá, mas de vez em quando vem pro lado de cá te perturbar.
O demônio um dia até pode ter sido um ser humano comum, atraente talvez. Mas passa longe disso.
O demônio some. Mas quando aparece, acaba com a paz.
O demônio fala alto.
O demônio incomoda.
O demônio tem sogra.
O demônio é uma sogra.
O demônio é burro. Você tem que utilizar psicologia reversa com o demônio.
O demônio acha que manda, mas está obsoleto.
O demônio fica vermelho como o cão.
O demônio se acha onipotente.
O demônio não entende a maioria das coisas que o circunda.
O demônio usa uma bóia na cintura para não se afogar. Sem saber que merda bóia.
O demônio insiste em ser uma figura de poder.
Todos se ajoelham perante a figura dele.

terça-feira, 30 de junho de 2015

sapato branco

do final dos anos 90 pra cá
a maioria viveu várias vidas, né?
eu não vivi muito.

eu tenho um sapato branco 
e um riso amarelo

se nem o guilherme fiúza tá bem
quem me dera ser escritor


e só cantar no backing vocals com a rita lee
lee de dromedária

pale ale e viena lager

eu sou a mistuda do meu tio paterno com meu avô materno

eu não falo com ninguém no thcét
eu sou antissocial no tchét

difícil vestir personagem(ns)

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Inceso efebófilo

Assunto: "Tenho 15 anos e sou filha de pastor. Meu pai me estuprou, me agrediu e estou com medo dele (sic) me matar."

[AnarcoArte] - Ele tinha que ter feito com carinho, não com violência

[Fulana] - Vc eh muito doente.

[AnarcoArte] - Se pensar de forma diferente do que seus conceitos pré-definidos e encaixotados acreditam é digno de um CID-10, e se a recíproca fosse verdadeira, para mim você também seria "doente", tia. O que é uma falácia.

[Beltrana] - Doente mesmo!

[AnarcoArte] - A maneira binária e ignorante de vocês pensarem ignora milhões de casos felizes de relações inter-etárias e até incestuosas que ocorrem no mundo. Principalmente no Oriente. É uma questão cultural. Lá eles não têm vergonha disso, não consideram tabu e aceitam com total naturalidade. Não precisando agir de violência, e sim, com amor. Por isso meu comentário.

[Beltrana] - Incesto e pedofilia? Vomitos eternos pra isso e para quem defende!!!

[AnarcoArte] - Note que incesto é uma coisa e pedofilia é outra completamente diferente. Às vezes andam juntas mas nem sempre é uma regra.
Incesto é relação entre parentes de primeiro grau: pais, filhos, avós, tios e primos. Sendo homo ou hétero-erótico. E independe da idade (podem ser ambos adultos).
PEDOfilia é sentir atração sexual por criança (de) até 11 anos completos. PONTO.
Pedo é criança. EFEBO é adolescente, jovem adulto. E efebofilia não é crime e nem é considerado doença mental segundo o guia médico CID-10.
Lembrando que adolescentes (12 a 17) anos NÃO SÃO considerados crianças, no ponto de vista científico e biológico - também, segundo a própria Organização Mundial da Saúde (OMS).
Consideremos para essa ginástica mental que todo(a) adolescente é um jovem adulto, saudável e com desejos sexuais. O que é da natureza humana.
Pois bem. Dito isso.
Existem tribos, não de índios, mas pequenos povoados de camponeses no interior da Amazônia onde é a cultura deles os pais iniciarem as filhas. Principalmente quando a mãe morre ou está muito velha. Geralmente a mais nova toma o lugar da mãe. E a grande maioria lá faz isso e desde "sempre" (ou desde que as várias gerações se lembram) foi assim. Para eles. A normalidade.
Já em lugares interioranos e praianos um pouco menos liberais surgiu a lenda do Boto Cor-de-rosa. Que era um animal que seduzia e engravidava as jovens moças. Quando na verdade em muitas vezes seriam seus pais ou algum vizinho.
Depois que comecei a fomentar o debate aqui sobre esse tema, me informei mais lendo cinco livros sobre o assunto. E como eu já imaginava, é uma questão meramente cultural e de TABU.
E em um desses cinco livros, um estudo nos Estados Unidos, mostrava que 60% dos casos de incesto foram traumáticos. Mas também 40% (quase metade!) foi considerado "normal" e NÃO traumático.
Por isso citei a questão da violência. Muito provavelmente esses 60% de casos considerados traumáticos para a pessoa mais jovem do casal foram pela causa de o parceiro mais velho ter usado de violência.
Pergunte para um ribeirinho amazonense se ele precisa pegar à força a filha, ou a um casal inter-etário no interior da Ásia se precisa usar de violência. Vão falar que NÃO. Pois quando é considerado normalidade, não precisa ser traumático. Isso é culpa da pseudo-moral hipócrita cristã. Se fosse considerado com mais liberdade o tema não seria tão tabu. Como na Alemanha ou no Japão. Onde casais interetários e até consenguíneos estão saindo da ilegalidade.
Resumindo: pedofilia é realmente mal. Mas incesto nem sempre é pedofílico. O que está sendo discutido é a questão do incesto. E incesto não-pedofílico.

sábado, 9 de maio de 2015

Sonho #20150509

Sonho #20150509
Recebi uma carta sendo convocado para seguir um plano como o FIES. Fiquei bravo. Pensei "já sou formado e já estou empregado! por que me mandaram isso!?". Rasurei com canetinha preta duas etiquetas com informações, dados e códigos-de-barra que vinham junto.
Semanas ou meses depois, achei esse documento, fiquei curioso e fui atrás para ver o que era. Várias pessoas me explicavam o que isso era e eu não entendia lhufas. Parecia que falavam outra língua, um lero-lero generator. Eu achava que esse programa era uma espécie de intercâmbio. E eu não queria participar! Por que tinham me mandado isso? Era obrigatório? Não quero! E as pessoas se irritavam porque eu não entendia. Uma das pessoas que tentou me explicar foi o pai do Fabio. E ele também se irritou porque eu não entendia.
Também liguei lá no FIES e disseram que acabou o programa. Mas eu insistia em que me explicassem o que era aquilo, o que tinha sido esse programa. E eu não entendia. Liguei várias vezes. Tentava mudar a voz. Até que a moça do telefone se emputeceu de vez, pensando que era trote.
Fui na sede do FIES tirar satisfação. O porteiro já me olha estranho e diz que eu to queimado lá. Que se eu entrasse, os caras iam me pegar. Dou meia volta, estou voltando para onde meus camaradas estão. Passa por mim uns quatro maloqueirinhos pré-adolescentes e um deles começa a querer trombar comigo, me encher o saco, tentar me bater. Vai me dar um chute e eu pego o pé dele e começo a girá-lo no ar. Penso "onde eu vou jogar ele pra não machucar tanto?". Aí quando ele está no ar, sinto um remorso e falo "não vou te jogar, vou só te colocar no chão". Só que nisso um deles que estava de bicicleta (mais novo ainda, uma criança) coloca uma arma na minha cara e eu me cago todo, falo: "eu já ia colocar ele no chão, não ia jogar". E o que estava sendo rodado me defende: "sim! é isso aí. ele não ia fazer nada comigo. ele ia me colocar no chão". O que estava com a arma não acredita e fala: "e ele se importa com você? ele nem te conhece". E o que estava girando no ar: "não conhece mas ele gosta de mim. e quem gosta se importa". Aproveito a distração e vou andando mais rápido até encontrar meus amigos.
Meus amigos eram: o André, o Natal e o Cooper. Conto pra eles que eu quase morri. E conto os diálogos em detalhes. Eles ouvem a história com interesse e depois contam que estavam armando um esquema de tráfico de remédios. Eu nem participava, só acompanhava. Colocavam o remédio em um lugar, o dinheiro em outro, aí vinham uns malacos e compravam, saíam fora. Até que o André levantou R$ 6 mil em um dia só. Eu nem queria parte do dinheiro. Só queria experimentar uma das cápsulas. Nisso passa o Bruno Uhren e o Natal fala que ele cantava com o Rodolfo Arantes (dos Raimundos). E eu falei "estudei com esse cara".
O André passa falando todo feliz pela gente dizendo que ia pra Disney. Que uma amiga da Laís que ele tinha conhecido pouco tempo antes chamou ele pra ir. Corre e atravessa a rua felizão e quase é atropelado. E eu penso "putz, quase que ele não vai pra Disney".

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Casamento

Sou contra a "instituição (falida)" chamada casamento pelo motivo de o mesmo ser uma hipocrisia, além de uma convenção social já ultrapassada. Mas note, não sou contra a formação de casais. Se você não tem o autocontrole de manter seus órgãos genitais dentro de suas calças, lamento mas então esse é o caminho. Já que não tem autocontrole para se segurar e ser um estuprador em potencial ou uma molestadora, que formem-se casais. Ótimo. Ainda não aconteceu para mim. Mas em minha opinião, basta morar junto. Dividir um teto. Já não chega? Já que para o Estado, é "como se casado fosse". E no fim, é uma SOCIEDADE. Um contrato não formal. De comum acordo. Um bem comum.
A partir do ponto que se precisa haver cerimônias e contratos sociais burocráticos e superexposição, perde totalmente a graça. A coisa sacerdotal, de se ajoelhar perante um pedófilo de saias que dá "conselhos matrimoniais" sendo o mesmo proibido pelo dogma religioso de que ele é proibido de se casar-se. Caga regra sem nem ao menos saber como é a vida a dois. Ou assinar um documento perante um magistrado (que até outrora utilizava de perucas para lhe dar um ar de superioridade). Já começa por aí.
Depois, a hipocrisia continua: "a família". Ah! O sonho de a mãe de a filha "casar de branco". Outra falácia. A filha já deu o cu, já deu a buceta desde os 13, 14 anos e até já pegou mulher. "Casar de branco" antigamente significava ser pura, ser virgem. Outro conceito que moderna-contemporaneamente não cabe mais ao século XXI. Ou seja: hipocrisia religiosa, de família, de sociedade, e etcétera. E que não têm nada a ver com a vida privativa e pessoal do casal. Rituais e religiões são bregas. Duas coisas totalmente ultrapassadas. Da época da "Idade das Trevas". Mas como dito antes: que formem-se casais! Que vão morar junto, dividam a "vida a dois" (outra expressão brega). Mas não precisa fazer gastança de milhares de reais em festas, jantares e chopadas. Ou que se faça consciente e que não se cobre direta ou veladamente presentes, eletrodomésticos ou dinheiro vivo em "cortes de gravata". Festas de casamento são um puta comércio pega-trouxas em que a cada bibelozinho na mesa do casório custa mais 100 reais por mesa, cada enfeite na cortininha ou candelabro mais cinquenta, cem, mil.
E depois vem a tão esperada "lua de mel". Antigamente as moçoilas perdiam a virgindade, o lençol ficava manchado de sangue. E em algumas culturas, era até mostrado com orgulho para os pais ou quem quer que seja. Isso sem contar "na missão de vida" da moça bonita que tem por OBRIGAÇÃO arranjar um marido RICO, o dito "bem-de-vida". Gerente de alguma coisa, ou empresário. E de preferência, submisso. Como um "homem" que possui uma vagina entre as pernas. Enquanto a dondoca faz compras, academia, fornica com amantes e maltrata alguns servos/asseclas. E depois envelhece cheia de botox. E cachorros de raça poodle.
Outro ponto: não adianta nada casar, dar uma de cara sério, "cidadão de bem" e comer a secretária, a colega de trabalho, a menininha que conheceu no happy hour, esconder a aliança (ou até exibí-la, por ser comprovadamente um chamariz de caçadoras de maridos e fura-olhos de senhôras "muito-bem-" casadas), ou, então, sair mais cedo do trabalho para continuar indo no puteiro, ou, até em outros casos, continuar comendo cu de travestis.
E a não ser que o marido seja um retardado mental que não consegue manter o pau dentro das calças ou não conseguir se desvencilhar de alcoolismo e drogadição, só conseguindo assim, por meio de rédeas e se achando "um ser humano melhor" por lhe vestirem tal acessório. Mas aí é problema de caráter, moral e de autocontrole. É uma faceta da personalidade que não evoluiu, que continua adolescente e infantil. Quem precisa de rédeas e cabresto são cavalos, que assim como o gado não sabem de sua condição de serem usufruidos, utilizados. A mesma analogia serve para "pastoreados". Que são tão ignorantes que não têm competência para tocarem suas vidas em frente a não ser que um mestre, um guru, um cônjuge ou pastor digam-lhes o que fazer e como se portar. Mas isso é literalmente um retardo. Retardo de personalidade e um retardo mental.
Portanto. Dando fim aos trâmites, gostaria de salientar que a mistura de exibicionismo, altruísmo e egoísmo chamado "sagrado-" matrimônio culmina com o nascimento do rebento. Sim. Sete bilhões de filhos da puta nesse mundo esgotado de recursos. Crianças, animais e seres viventes em geral passando fome e necessidade e o egoísmo genético do espécime homo sapiens (e há que digam alguns, mais um) "-sapiens", de ter alguém com o rostinho angelical que puxou metade a mamãe, metade o Ricardo e que tiram foto dele recém-nascido "com as mãozinhas cruzadas, como se estivesse rezando, assim como um anjinho" e que depois de 10 ou 15 anos manda foto de pau e de peito e de buceta no zap-zap. Toma, sociedade. E é esse o motivo pelo qual sou contra a hipocrisia, a pressão social e dita "moral" da sociedade, família e religião desse mito cada vez mais brega e demodè de "constituir família". A não ser nos casos sinceros, de casais livres de hipocrisia exibicionista que simplesmente decidem morar juntos e ter uma vida até os dois não se aturarem (e não "que a MORTE os separem") - como se isso já não soasse fúnebre e infeliz demais. E que adotem, de preferência um cachorro, porque não mama nas tetas dos pais até os 40 anos (morre bem antes), não gasta com fraldas caríssimas (o que aconteceu com as fraldas de pano? e por que somos socialmente obrigados a presentear com tais acessórios a vagabunda que emprenhou?). Que não requer estudo caro (que, durante a vida, soma-se mais de um milhão de reais), ou que não te leva à prisão por negligência ou falta de pagamento de pensão, o que mui provavelmente irá ocorrer - matemática e estatisticamente falando.
C'est fine. Por hora.

domingo, 1 de março de 2015

R$ 1.200

Recebo Mil e Duzentos reais.
Tudo sobe. Menos meu salário. Que fica
Mil e Duzentos reais.
Pego um empréstimo, dois empréstimos e fica
Mil e Duzentos reais.
Pago três cartões de crédito. Meu custo de vida é o triplo do que essa merreca de
Mil e Duzentos reais.
11 anos de formado. 10 de pós graduado. E ganhando
Mil e Duzentos reais.
Alguém se casa. (Ninguém mandou). Pedem vaquinha. Mas eu recebo
Mil e Duzentos reais.
Alguém emprenha. Tem que comprar fralda. Ganha o quádruplo que eu. Tenho que participar. Mas eu recebo
Mil e Duzentos reais.
A secretária vai tirar férias. Ela é querida. Fazem vaquinha. Mas ela ganha 3 mil reais. E eu
Mil e Duzentos reais.
Alguém passa em um concurso melhor. Vai sair da empresa. Querem comprar "uma lembancinha". E eu ganho
Mil e Duzentos reais.
Meu pai pagou minha formação. Mas ainda paga meu condomínio. E reclama comigo.
Mil e Duzentos reais.
Tenho cabelos brancos e ainda dependo disso.
Mil e Duzentos reais.
Uma empresa cheia de aspones. Esperando ser chamado em um concurso que nunca virá
Mil e Duzentos reais.
E dando por fim tais trâmites, todos reclamam. Da política atual, da política antiga.
Mas todos têm seus cônjuges, suas casas próprias, filhinhos e boquinhas pra alimentar.
E todo mundo reclama ganhando 5 mil pra cima. Seis ká, sete ká, dez ká.
A depressão me chama. E chama forte. Só não ligo o gás porque acredito que ainda tenho alguma estrada pra caminhar.
(* Inspirado em "O Dia da Criação", de Vinicius de Moraes)