O final de semana é o inferno.
Supermercados empinhados de gente,
Filas quilométricas
Os shoppings abarrotados
Assim como os parques.
O homem-livre abomina isto.
O homem-livre abomina as manias dos escravos.
O homem-livre abomina os lugares e os horários livres dos semiescravos.
O homem-livre vai ao bar na segunda,
No shopping na terça,
Às compras na quarta,
No parque na quinta,
na sexta, ao cinema.
De dia, pois à noite a cidade é intransitável
Preenchida pelos seres que aparecem não-sei-daonde
Em seus carros com som alto
Falando alto, causando acidentes
Com suas roupas de grifes
Não passeando, mas desfilando
Os escravos querem ver e ser vistos
O rebanho parece limpo, mas é imundo
E enquanto a manada está solta
O homem-livre descansa
Pois, não é fácil ser único
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