Quando fui ver Homens São de Marte, já não esperava muito.
De começo, achei bom que o cinema estivesse quase vazio. Uns 4 pares de pessoas só (que depois vim a descobrir que eram duplas de mulheres) - e eu.
Mas (re-)descobri que a falta de educação impera nessas grandes franquias de cinema populares (UCI, Cinesystem e Cinemark). Mas vamos lá.
Já no início, comecei a passar raiva. Com duas gazelinhas mal educadas com seus 20 anos se muito logo atrás de mim que não paravam de tagarelar e rir de qualquer piada. Aliás, o começo do filme é muito sem graça.
Aqui cabe um adendo: O popular médio que vai assistir uma comédia ele está pronto para rir de tudo. Até nos momentos mais dramáticos do filme nos quais a protagonista está num dilema existencial, uma crise de meia idade e chorando, tem Zé Povinho que está rindo. Essa reflexão me lembrou até o filme Um Divã para Dois com Meryl Streep, Tommy Lee Jones e Steve Carrel sobre terapias de casais que quando fui ver, ouvia risadas nos momentos mais inapropriados. Há a necessidade por parte do espectador de uma válvula cômica - e às vezes não existe tão cedo no filme - que é tão forte que quem não tem a sensibilidade de perceber as diversas camadas da película estoura em risos a qualquer intervenção que seja pseudo engraçada: uma caneta caindo, um espirro. Um riso nervoso. Um alívio. Pois bem.
Ao decorrer do filme me vieram alguns insights. Como por exemplo como o Paulo Gustavo é um puta ator. Se vira no roteiro, tira de letra o improviso - e principalmente o improviso - esse é seu trunfo. Paulo Gustavo SALVA o filme. Aliás, arrisco dizer que é ele quem leva o filme nas costas.
A protagonista por sua vez paga de "cougar" (coroa gostosa) mas é só altura e silicone, não tem bunda e é bem insossa. Esteticamente, aliás, sou muito mais a Danielle Valente, aquela loirinha do seriado dos anos 90 Confissões de Adolescente. Apesar de me incomodar seu carioquês acentuado.
Falando em ser canastra, confirmei o que já havia percebido em Getúlio. Que ator de TV não sabe fazer cinema. É tudo muito exagerado. O "grande Tony Ramos", a "grande Irene Ravache". Pois bem. São caricatos e canastrões. Talvez esse tipo de interpretação funcione pra novela e até no teatro, mas me causa estranhamento no meio cinematográfico. Antes que me apedrejem, sei que o papel da Irene nesse filme é para ser caricato mesmo, percebi isso. Mas está demais. Talvez e provavelmente nem por culpa dela seja. Talvez a culpa seja do roteiro ou do diretor. Vai saber.
Humberto Martins é um parágrafo à parte. Gosto muito do ator. Ou gostava. A partir de então não sei mais. Amo a novela Quatro Por Quatro (1993/1994). Me emocionei com o par romântico dele com a Cristiana Oliveira (a Juma, essa mesma). Até revi a novela inteira há alguns meses. Enfim.
Mas o papel dele (sempre) é daquele cara meio maluco, meio porra louca, meio amante latino mas com um parafuso a menos. Normal. No filme o personagem é um ricaço que bebe e tal. Até achei que o personagem cheirava, mas parece que foi impressão (não sei se minha ou se proposital). O que me deixou com a pulga atrás da orelha foi se o personagem ERA bêbado mesmo ou se o ator ESTAVA bêbado. Ou se o personagem ESTAVA e o ator o É. Confirmei minhas dúvidas nas cenas "bônus" dos créditos. Onde o ator esquece a fala e se desculpa todo afetado. Humberto Martins foi contracenar no filme bêbado. Isso eu não tenho dúvidas. A não ser que ele tenha tido um derrame nesses últimos vinte anos que eu não o acompanhei. Mas acho pouco provável.
Lulu santos... O que dizer? Interpreta a si mesmo... E tão sem motivação como o personagem, ele é ele mesmo em cena tentando ser ator. É preguiçoso como tentativa e na canção final não se esforça ao menos em se auto dublar, erra feio, erra rude (menção honrosa à Júlia Rabello do Porta dos Fundos). Ou erram por ele em não refazerem a cena. Acho sinceramente que é puro desleixo mesmo.
Ah, isso sem mencionar os vários merchandisings inseridos durante todo o filme. O que é impertinente e irritante.
Minhas considerações finais são essas. Vale pagar um deizão. Num cinema quase vazio, sem acéfalos.
Se quiser desligar seu cérebro por uma hora e meia ou se fizer parte da manada que dá risada de piada com casca de banana, chute no saco, ou se achou engraçado o Leandro Hassum balançando a pança em Até que a Sorte Nos Separe 2, vá.
Mas se você tem um humor mais woodyalleano, poupe seu humor britânico ou negro para outras coisas (cada vez mais difíceis de achar).
Estou cada vez mais desacreditado no cinema nacional e também no mundial. Viva a galhofada e à chegada cada vez maior da Era da Idiocracia. Pelo menos para quem pensa como eu (será que existe alguém?), enquanto conseguirmos fugir dos filmes 3D e dublados, ainda haverá esperança para a massa (não a de manobra, mas sim a encefálica).
sexta-feira, 30 de maio de 2014
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Cinema gayzista
Eu sou cético.
Eu sou cinéfilo.
Odeio teorias conspiratórias.
Mas...
A cada 3 filmes nacionais em cartaz, 2 são sobre gayzismo.
Eu odeio admitir que existe uma "'agenda gayzista' que quer acabar com a família brasileira".
Mas parece que realmente há.
Eu sempre neguei até agora que havia uma conspiração.
Mas: roteiro péssimo, atores péssimos, dinheiro do governo federal...
Foda-se a "opção" de cada um.
Mas partindo do momento em que o governo e a verba federal pende para certo lado, aí está errado.
Totalmente errado.
Mas já que na república das bananas temos tantos mandos e desmandos, não duvido de mais nada!
Eu sou cinéfilo.
Odeio teorias conspiratórias.
Mas...
A cada 3 filmes nacionais em cartaz, 2 são sobre gayzismo.
Eu odeio admitir que existe uma "'agenda gayzista' que quer acabar com a família brasileira".
Mas parece que realmente há.
Eu sempre neguei até agora que havia uma conspiração.
Mas: roteiro péssimo, atores péssimos, dinheiro do governo federal...
Foda-se a "opção" de cada um.
Mas partindo do momento em que o governo e a verba federal pende para certo lado, aí está errado.
Totalmente errado.
Mas já que na república das bananas temos tantos mandos e desmandos, não duvido de mais nada!
domingo, 18 de maio de 2014
Globo Filmes
O Auto da Compadecida, Caramuru e Anjos do Sol são muito bons.
Deus é Brasileiro, Serra Pelada, Flores Raras, Meu Nome Não É Johnny, O Ano Em que Meus Pais Saíram de Férias e O Signo da Cidade são bons.
Orfeu, Lisbela e o Prisioneiro, O Homem que Copiava, Meu Tio Matou um Cara, Casa de Areia, Vinicius de Moraes e Cartola devo ter assistido mas não lembro muito bem. Mas devem ser bons também.
O resto é pífio.
Eles endeusam muito seus atores e seus personagens novelísticos.
Isso sem contar a overdose de Didi e Xuxa.
Segue a lista do mal gosto:
Lula O Filho do Brasil (propaganda política descarada), Besouro (oportunismo com o tal "orgulho negro"), Os Porralokinhas (isso é nome pra filme infantil!?), 2 Filhos de Francisco, Tainá, Cazuza (o ator começa cantando, depois percebem que o ator não canta nada e do meio pro final vira dublagem), Angélica em Zoando na TV;
Agora por categorias:
Sensacionalismo com a violência brasileira: Cidade de Deus, Broder, Tropa de Elite, 5x Favela Agora por Nós Mesmos, Salve Geral, Última Parada 174, Cidade dos Homens, Ó Paí Ó;
Tentativa frustrada de fazer comédia: Até que a Sorte Nos Separe (o 2 é um lixo totalmente sme graça), Mato sem Cachorro (podre de ruim. Danilo Gentili é bom apresentador mas péssimo ator), O Concurso, Vai Que Dá Certo, Os Penetras, E Aí..Comeu? (putz... Bruno Mazzeo... o que falar?), As Aventuras de Agamenon O Repórter, Cilada.com (o seriado no Multishow era bom, já o filme...);
Oportunismo religioso barato: Nosso Lar, Chico Xavier, Aparecida O Milagre, Maria Mãe do Filho de Deus, Redentor;
Personagens novelísticos ou de seriados globais: Crô, Giovani Improtta, A Grande Família O Filme, Os Normais;
Overdose de Xuxa e Didi: Xuxa Sonho de Menina, O Cavaleiro Didi e a Princesa Lili, Didi O Caçador de Tesouros, Xuxinha e Guto, Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida, Xuxa Abracadabra, Didi o Cupido Trapalhão, Xuxa e os Duendes, O Trapalhão e a Luz Azul, Simão o Fantasma Trapalhão, O Guerreiro Didi e a Ninja Lili;
Ou seja, para cada um bom, 3 são de péssima qualidade, gosto duvidoso e para atingir as massas.
Deus é Brasileiro, Serra Pelada, Flores Raras, Meu Nome Não É Johnny, O Ano Em que Meus Pais Saíram de Férias e O Signo da Cidade são bons.
Orfeu, Lisbela e o Prisioneiro, O Homem que Copiava, Meu Tio Matou um Cara, Casa de Areia, Vinicius de Moraes e Cartola devo ter assistido mas não lembro muito bem. Mas devem ser bons também.
O resto é pífio.
Eles endeusam muito seus atores e seus personagens novelísticos.
Isso sem contar a overdose de Didi e Xuxa.
Segue a lista do mal gosto:
Lula O Filho do Brasil (propaganda política descarada), Besouro (oportunismo com o tal "orgulho negro"), Os Porralokinhas (isso é nome pra filme infantil!?), 2 Filhos de Francisco, Tainá, Cazuza (o ator começa cantando, depois percebem que o ator não canta nada e do meio pro final vira dublagem), Angélica em Zoando na TV;
Agora por categorias:
Sensacionalismo com a violência brasileira: Cidade de Deus, Broder, Tropa de Elite, 5x Favela Agora por Nós Mesmos, Salve Geral, Última Parada 174, Cidade dos Homens, Ó Paí Ó;
Tentativa frustrada de fazer comédia: Até que a Sorte Nos Separe (o 2 é um lixo totalmente sme graça), Mato sem Cachorro (podre de ruim. Danilo Gentili é bom apresentador mas péssimo ator), O Concurso, Vai Que Dá Certo, Os Penetras, E Aí..Comeu? (putz... Bruno Mazzeo... o que falar?), As Aventuras de Agamenon O Repórter, Cilada.com (o seriado no Multishow era bom, já o filme...);
Oportunismo religioso barato: Nosso Lar, Chico Xavier, Aparecida O Milagre, Maria Mãe do Filho de Deus, Redentor;
Personagens novelísticos ou de seriados globais: Crô, Giovani Improtta, A Grande Família O Filme, Os Normais;
Overdose de Xuxa e Didi: Xuxa Sonho de Menina, O Cavaleiro Didi e a Princesa Lili, Didi O Caçador de Tesouros, Xuxinha e Guto, Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida, Xuxa Abracadabra, Didi o Cupido Trapalhão, Xuxa e os Duendes, O Trapalhão e a Luz Azul, Simão o Fantasma Trapalhão, O Guerreiro Didi e a Ninja Lili;
Ou seja, para cada um bom, 3 são de péssima qualidade, gosto duvidoso e para atingir as massas.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Satanismo x Ceticismo/Ateísmo + Aborto
Com exceção ao neo-satanismo (que me parece um pouco mais elevado) e levando em consideração somente o satanismo clássico, quero tecer alguns comentários:
Li a Bíblia Satânica. Algo meio nietzschiana (em comparação ao "super homem" / Zaratustra - também de Nietzsche -, etc. Interessante. Só "peca" ao final, onde tem "receitas" de rituais. Inclusive li essa semana o livro de "São" Cipriano - por curiosidade, já que soube que nele haviam algumas rezas - e "rituais" - para a finalidade de exorcismo. Igualmente, no final também constam diversas "simpatias" que vão desde manter o cabelo loiro, ou negro, ou que não caia; até algo muito similar à dita "magia negra" (outra "bullshit" - como diriam Penn & Teller) às quais são claramente direcionadas à TENTATIVA (e à ilusão) DE realizar o mal para outrem. Algo um pouco surreal para a obra de um dito "santo". Mas enfim: ambos os livros me pareceram exatamente farinha do mesmo saco. Qualquer cético abominaria a existência de rituais. Isso não condiz com o ateísmo. Mesmo porque "satanismo" implica na crença em um "demônio" (ou vários), sendo o "maior" deles - Lúcifer! - etc, etc. É a mesma idolatria à qual os crentes se referem ao "Deus" (deus) Javé. Criaturas igualmente inexistentes. Por essas e outras considero o satanismo altamente incongruente ao ceticismo e sobretudo ao ateísmo. Outra crítica que tenho a esse tipo de ideologia é a massificação. O efeito manada. Todos vestindo a mesma cor de roupas (pretas), cabelos compridos e barba igualmente comprida. E ouvindo o mesmo estilo de música: o "'deus' metal". Não há algo mais patético. Não se diferem nada das crentes com seus cabelões e saiotes ouvindo música gospel. E não se diferem em nada igualmente em relação aos pagodeiros, sertanejos ou "emos" ("tribo" a qual nem existe mais - em teoria - mas estou utilizando somente a nível de comparação de pateticidade). A música é uma arte tão bela, rica e tão cheia de (quase) infinitos ritmos, que é no mínimo uma ignorante falta de sensibilidade se ater somente a ouvir um único estilo musical e cultuá-lo de maneira (quase?) religiosa. Dito isso:
Com relação ao aborto, já que não há a existência de "alma", mas sim de VIDA, o debate científico se divide. Depende de quantos dias/semanas/meses a gestação está em progresso. N'a "pílula do dia seguinte" não vejo problema. Visto que ela é tomada LITERALMENTE no "dia seguinte". Já aos 8 meses e 29 dias de gestação com certeza há um assassinato, um infanticídio. Existe toda uma escala cinza. Nada é binário ou simplista. Não é "8 ou 80".
Li a Bíblia Satânica. Algo meio nietzschiana (em comparação ao "super homem" / Zaratustra - também de Nietzsche -, etc. Interessante. Só "peca" ao final, onde tem "receitas" de rituais. Inclusive li essa semana o livro de "São" Cipriano - por curiosidade, já que soube que nele haviam algumas rezas - e "rituais" - para a finalidade de exorcismo. Igualmente, no final também constam diversas "simpatias" que vão desde manter o cabelo loiro, ou negro, ou que não caia; até algo muito similar à dita "magia negra" (outra "bullshit" - como diriam Penn & Teller) às quais são claramente direcionadas à TENTATIVA (e à ilusão) DE realizar o mal para outrem. Algo um pouco surreal para a obra de um dito "santo". Mas enfim: ambos os livros me pareceram exatamente farinha do mesmo saco. Qualquer cético abominaria a existência de rituais. Isso não condiz com o ateísmo. Mesmo porque "satanismo" implica na crença em um "demônio" (ou vários), sendo o "maior" deles - Lúcifer! - etc, etc. É a mesma idolatria à qual os crentes se referem ao "Deus" (deus) Javé. Criaturas igualmente inexistentes. Por essas e outras considero o satanismo altamente incongruente ao ceticismo e sobretudo ao ateísmo. Outra crítica que tenho a esse tipo de ideologia é a massificação. O efeito manada. Todos vestindo a mesma cor de roupas (pretas), cabelos compridos e barba igualmente comprida. E ouvindo o mesmo estilo de música: o "'deus' metal". Não há algo mais patético. Não se diferem nada das crentes com seus cabelões e saiotes ouvindo música gospel. E não se diferem em nada igualmente em relação aos pagodeiros, sertanejos ou "emos" ("tribo" a qual nem existe mais - em teoria - mas estou utilizando somente a nível de comparação de pateticidade). A música é uma arte tão bela, rica e tão cheia de (quase) infinitos ritmos, que é no mínimo uma ignorante falta de sensibilidade se ater somente a ouvir um único estilo musical e cultuá-lo de maneira (quase?) religiosa. Dito isso:
Com relação ao aborto, já que não há a existência de "alma", mas sim de VIDA, o debate científico se divide. Depende de quantos dias/semanas/meses a gestação está em progresso. N'a "pílula do dia seguinte" não vejo problema. Visto que ela é tomada LITERALMENTE no "dia seguinte". Já aos 8 meses e 29 dias de gestação com certeza há um assassinato, um infanticídio. Existe toda uma escala cinza. Nada é binário ou simplista. Não é "8 ou 80".
terça-feira, 6 de maio de 2014
Avô
Qual o ponto (what's the point?) de dizer adeus a alguém à beira da morte?
Alguém que não me disse nada a vida inteira.
Vai me dizer o quê à beira da morte?
Qual o motivo de rever padrinho e madrinha que não me deram um só presente durante minha infância inteira?
Nem um (nenhum) telefonema na ocasião de aniversários?
Sou tão má pessoa assim por "cabular" a última despedida ao meu avô de 91 anos?
Alguém que não me disse nada a vida inteira.
Vai me dizer o quê à beira da morte?
Qual o motivo de rever padrinho e madrinha que não me deram um só presente durante minha infância inteira?
Nem um (nenhum) telefonema na ocasião de aniversários?
Sou tão má pessoa assim por "cabular" a última despedida ao meu avô de 91 anos?
Assinar:
Postagens (Atom)