Hoje conheci uma menina linda: este é o ponto bom.
É a primeira vez que sinto isso, nunca me senti assim. Como um merda, realmente.
Enquanto estou desempregado, acomodado, sustentado pelo pai, tem gente aí passando fome...
A menina me olhou, nos olhos, com a maior sinceridade (eu pensei não ter importância, de início) e me explicou sua situação: 20 anos, 3 filhos (casou aos 14), e o canalha a abandonou, pra variar....
Com lágrimas nos olhos, me disse que melhor do que pedir dinheiro, era estar fazendo o que ela fazia: vendia batatinhas em conserva.
O pretinho, coitadinho, me cumprimentou com um singelo "oi", meio tímido.
A menina queixa-se que não consegue "emprego" de diarista, pois ninguém a quer, não tem estudo.
Meu amigo pornógrafo pensou em convidá-la por um programa, por trinta reais. Mas só pensou.
Eu apenas me compadeci. Não pelas crianças - e não me chamem de insensível - mas pela menina, uma garota, uma mulher.
E eu revi meus conceitos: Formado, porém desempregado. Ou: desempregado, porém formado, aos 22 anos.
E aproveitando meu seguro-desemprego fumando maconha com os amigos e jogando video-game de "úiltima geração" (soa como se fosse um abastado, mas com 2 anos e meio de trabalho escravo consegui adquirir alguns bens e minha alforria) enquanto uma desgraçada - para não dizer fodida - tem que se humilhar, tentando vender o que ninguém quer comprar: raízes.
Talvez os mais insensíveis e tarados tentam enxergar naquela menina "direita" uma futura prostituta sagaz em suas futuras tarefas...
Mas eu, o que enxerguei naqueles olhinhos chorosos foi uma menina-moça com 20 anos e 3 filhos nas costas, já sofrida pela vida... e dei o o mínimo que ela merecia: Dez reais.
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