Não posso mais ouvir Because. Porque é do fim do American Beauty (Beleza Americana).
Meu relógio biológico tá certo agora. Acordei sete e vinte num domingo. Horário de proletário do caralho. Pra compensar, abri meu último cabernet.
Sonho recorrente com a Praia. Que hoje em dia deve estar um lixo. Já era poluída na minha época, e o mar subiu... Mas são as lembranças boas que ficaram. Principalmente da minha primeira paixão platônica. Eu era criança e chorava... Daí minha mãe perguntava: é por causa de A? Eu: "não". É por causa de B? Eu: "não". É por causa que a L____ foi embora? Eu: "não". Mas era... Minha primeira depressão.
E sempre foi, por anos. Montavam naquela caminhonete e iam.
Todos os sobrados eram iguais. De igual tamanho. Mas o deles, foi montado uma fortaleza. O que acho que não adiantou muito, porque pelo final dos anos 90, teve uma onda de assalto e invasões - já que cada sobrado era inutilmente ligado um ao outro pelos fundos, ´por muretinhas insignificantes.
Depois fiquei sabendo pelo irmão dela (o cara mais bombado e ainda assim, mais gente fina que conheci - pois bombados normalmente são FDPs) que ela foi parar no interior. E não tinha Orkut por causa do dito-cujo felizardo.
Onde quer que esteja. Nunca vai ler isso. Mas se ler, saiba que foi meu primeiro amor. Minha primeira platônica.
E depois, no Bom Jesus, eu vi, ou me disseram... Andava de mãos dadas com um polacão. Isso numa época que nem era permitido andar de mãos dadas em colégio franciscano.
Anyway, não era pro meu bico mesmo...
Última lembrança que eu tenho é tomando um torrão, do lado dela, em idos de 1996. Até puxei o calção pra tomar um sol nas coxas. Depois era só hidratante e grampo de roupa, de tão embasbacado.
96. 97... Quando comecei a ir pra praia sozinho.
Mas acontece que me assombra até hoje. Sempre tive sonhos recorrentes com a Praia e com o Edifício Acapulco. Mas lembro de duas últimas noites em que me tem assombrado a Praia de um jeito muito realista.
Sempre sonhei que eu ainda tinha a chave da casa antiga, num chaveiro do Homer, que realmente existia. E entrava lá escondido, num golpe de mestre. Mas sempre acabava que os atuais donos da casa chegavam.
Até hoje penso que o espírito de minha tia-bisavó (a primeira mulher que vi nua) ainda mora lá.
Mas desta vez.... No sonho vívido e recorrente (posso chamá-lo recorrente por ser a segunda vez que acontece) - eu estou lá, na Praia - e eu mesmo invadia as casas.
Foi até difícil no começo - devido a meu medo de altura - mas entrei na casa dos Oliveira (logo depois da minha, logo depois da dos paraguaios, aí vinha a deles).
E acabei por deixar a porta aberta. O que rendeu um pedido de desculpas pra minha primeira platônica. Ela com o namorado... Devolvi a chave e me escusei falando que tinha que trocar o calção. Isso tudo em sonho...
Eu tenho pena de mim hoje. Eu tenho pena de mim ontem. Moleque gordinho (o que ainda sou), introspectivo e tímido (o que ainda sou), que demorou ANOS ("temporadas") pra falar com a menina e pra não dar em nada. Basicamente nada. Nem uma amizade concreta.
A única menina da rua.
E tem me assombrado em meus sonhos ultimamente.
Queria reencontrá-la. Pelo menos lavar essa roupa suja que nunca existiu...
Ou não.
Fantasmas, fantasmas, fantasmas na minha mente... Nos meus sonhos. E justo na última noite (dos justos).
(...)Tinha o Julio que roubava fita de Super Nintendo do Marçal.. Tinha o Victor Hugo da outra rua. Tinha umas ruivinhas com quem eu nunca conversei... E tinha também uma menina que aparentava bem menos a idade que tinha e que gostava de punk rock. Tinha uma babá que sempre ligava no meu aniversário.E tinha também a dona Dirlei. Com a cadelinha Xuxa. E o Barbosa, marido alcoólatra que ela trancava no banheiro quando dava problema. Ela vendia "crépe de quêjo".
Mas ainda assim:"I wanna be big. I gonna buy this town."
Paraná, Brasil, América do Sul.
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