Quem sou eu

Curitiba, Paraná, Brazil

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Filme Homens São de Marte

Quando fui ver Homens São de Marte, já não esperava muito.
De começo, achei bom que o cinema estivesse quase vazio. Uns 4 pares de pessoas só (que depois vim a descobrir que eram duplas de mulheres) - e eu.
Mas (re-)descobri que a falta de educação impera nessas grandes franquias de cinema populares (UCI, Cinesystem e Cinemark). Mas vamos lá.
Já no início, comecei a passar raiva. Com duas gazelinhas mal educadas com seus 20 anos se muito logo atrás de mim que não paravam de tagarelar e rir de qualquer piada. Aliás, o começo do filme é muito sem graça.
Aqui cabe um adendo: O popular médio que vai assistir uma comédia ele está pronto para rir de tudo. Até nos momentos mais dramáticos do filme nos quais a protagonista está num dilema existencial, uma crise de meia idade e chorando, tem Zé Povinho que está rindo. Essa reflexão me lembrou até o filme Um Divã para Dois com Meryl Streep, Tommy Lee Jones e Steve Carrel sobre terapias de casais que quando fui ver, ouvia risadas nos momentos mais inapropriados. Há a necessidade por parte do espectador de uma válvula cômica - e às vezes não existe tão cedo no filme - que é tão forte que quem não tem a sensibilidade de perceber as diversas camadas da película estoura em risos a qualquer intervenção que seja pseudo engraçada: uma caneta caindo, um espirro. Um riso nervoso. Um alívio. Pois bem.
Ao decorrer do filme me vieram alguns insights. Como por exemplo como o Paulo Gustavo é um puta ator. Se vira no roteiro, tira de letra o improviso - e principalmente o improviso - esse é seu trunfo. Paulo Gustavo SALVA o filme. Aliás, arrisco dizer que é ele quem leva o filme nas costas.
A protagonista por sua vez paga de "cougar" (coroa gostosa) mas é só altura e silicone, não tem bunda e é bem insossa. Esteticamente, aliás, sou muito mais a Danielle Valente, aquela loirinha do seriado dos anos 90 Confissões de Adolescente. Apesar de me incomodar seu carioquês acentuado.
Falando em ser canastra, confirmei o que já havia percebido em Getúlio. Que ator de TV não sabe fazer cinema. É tudo muito exagerado. O "grande Tony Ramos", a "grande Irene Ravache". Pois bem. São caricatos e canastrões. Talvez esse tipo de interpretação funcione pra novela e até no teatro, mas me causa estranhamento no meio cinematográfico. Antes que me apedrejem, sei que o papel da Irene nesse filme é para ser caricato mesmo, percebi isso. Mas está demais. Talvez e provavelmente nem por culpa dela seja. Talvez a culpa seja do roteiro ou do diretor. Vai saber.
Humberto Martins é um parágrafo à parte. Gosto muito do ator. Ou gostava. A partir de então não sei mais. Amo a novela Quatro Por Quatro (1993/1994). Me emocionei com o par romântico dele com a Cristiana Oliveira (a Juma, essa mesma). Até revi a novela inteira há alguns meses. Enfim.
Mas o papel dele (sempre) é daquele cara meio maluco, meio porra louca, meio amante latino mas com um parafuso a menos. Normal. No filme o personagem é um ricaço que bebe e tal. Até achei que o personagem cheirava, mas parece que foi impressão (não sei se minha ou se proposital). O que me deixou com a pulga atrás da orelha foi se o personagem ERA bêbado mesmo ou se o ator ESTAVA bêbado. Ou se o personagem ESTAVA e o ator o É. Confirmei minhas dúvidas nas cenas "bônus" dos créditos. Onde o ator esquece a fala e se desculpa todo afetado. Humberto Martins foi contracenar no filme bêbado. Isso eu não tenho dúvidas. A não ser que ele tenha tido um derrame nesses últimos vinte anos que eu não o acompanhei. Mas acho pouco provável.
Lulu santos... O que dizer? Interpreta a si mesmo... E tão sem motivação como o personagem, ele é ele mesmo em cena tentando ser ator. É preguiçoso como tentativa e na canção final não se esforça ao menos em se auto dublar, erra feio, erra rude (menção honrosa à Júlia Rabello do Porta dos Fundos). Ou erram por ele em não refazerem a cena. Acho sinceramente que é puro desleixo mesmo.
Ah, isso sem mencionar os vários merchandisings inseridos durante todo o filme. O que é impertinente e irritante.
Minhas considerações finais são essas. Vale pagar um deizão. Num cinema quase vazio, sem acéfalos.
Se quiser desligar seu cérebro por uma hora e meia ou se fizer parte da manada que dá risada de piada com casca de banana, chute no saco, ou se achou engraçado o Leandro Hassum balançando a pança em Até que a Sorte Nos Separe 2, vá.
Mas se você tem um humor mais woodyalleano, poupe seu humor britânico ou negro para outras coisas (cada vez mais difíceis de achar).
Estou cada vez mais desacreditado no cinema nacional e também no mundial. Viva a galhofada e à chegada cada vez maior da Era da Idiocracia. Pelo menos para quem pensa como eu (será que existe alguém?), enquanto conseguirmos fugir dos filmes 3D e dublados, ainda haverá esperança para a massa (não a de manobra, mas sim a encefálica).

Nenhum comentário: