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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O Vendedor de Sonhos

Quem escreveu a crítica está certíssimo. Nota 2 de 5 é praticamente um ato de caridade.
Os atores parecem saídos de novelas (canastrões e canastronas) ou de teatro de rua.
Clichê atrás de clichê, atrás de clichê, atrás de clichê.
A cena do avião foi patética. Inacreditável o lugar-comum.
E a que mostra o mendigo como esquizofrênico é uma alusão a "Pedro" (Julio) negando "Jesus" (Mestre). Como na bíblia. Para puxar a identificação com cristãos (se é que o perceberam). E, ademais: oras, o que importa não é a sabedoria dele, a oratória? Qual o problema de ele ter tal doença psiquiátrica?
Existem cenas que não fazem sentido algum, ou que subestimam o intelecto do telespectador. Como na que chegam à morada dos mendigos e Dan Stulbach pergunta no mínimo umas dez vezes "-Mas aonde é sua casa? -É aqui. -Mas aqui onde? Onde é a sua casa? -É aqui". Simplesmente sacal.
E para logo depois aparecer a figura de um idoso negro com os olhos verdes (à là capa da revista National Geographic). E ninguém ali fumando crack, o que seria mais plausível.
Passando pelo trombadinha baleado e desacordado mas que é milagrosamente salvo. Pois onde já se viu um infanticídio em um filme tão edificante quanto esse, não é?
Me lembrou muito filmes espíritas como o do Chico Xavier, E a Vida Continua e Nosso Lar. Intragáveis tanto quanto. Talvez um pouco mais.
Os clichês vão desde a música com pianinho infantil quando a criança aparece, até o toque "edificante" quando vai acontecer algum discurso motivacional.
O auditório vazio, a esposa troféu, a criança desamparada, as lágrimas de crocodilo para lá e para cá. Simplesmente não me prenderam. Ficava imaginando como o colírio fôra pingado imediatamente antes.
Quando atingiu o ápice da pieguice, levantei para ir embora antes do final. E não é que era o final mesmo?
Era para ser um final edificante? Enquanto alguns fungavam, eu sorria enquanto sofria de Síndrome da Vergonha Alheia.
Aparentemente Augusto Cury e Jayme Monjardim tentaram arrebanhar algum filete de gado. E pelo jeito conseguiram.
Não entendo como teve relatos de pessoas que choraram "durante e depois do filme". Isso na verdade diz muito do brasileiro. Seu (mau) gosto para cinema e para literatura.
E não só o mau gosto artístico (pela sétima arte) como intelectual também. Por cair em contos da carochinhas de pseudo ciência, charlatanismo e literatura barata de auto-ajuda.
Não é realmente um filme para cinéfilos. Ou para quem tem um patamar para cinema e literatura acima do senso comum.
É mais para a turma do Hassum, da Praça é Nossa, da Zíbia Gasparetto, das piadas físicas tipo casca-de-banana e bordão e pra galera do "hashtag força Chape".

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