Hoje é sábado. Amanhã é domingo.
Quando entra a claridade, meu cérebro de assalariado condicionado se ilumina.
E abro um sorriso inocente quando percebo.
Que hoje é sábado.
Hoje é sábado. Amanhã é domingo.
Nada como um dia após o outro.
Acordo de ressaca, mas isso já não importa.
Porque hoje é sábado.
Dá até uma certa culpa cristã por não ter que trabalhar.
Porque hoje é sábado.
Cérebro condicionado.
Porque hoje é sábado.
Dá também uma certa culpa por essa semana ter usado de atestado.
Porque hoje é sábado.
Mas enfim, hoje é dia de lavar louça.
Porque hoje é sábado.
É dia de lavar roupa.
Porque hoje é sábado.
Dia de dar uma varrida no chão.
Porque hoje é sábado.
De comer mal porque já gastei o vale-refeição.
Porque hoje é sábado.
De não brigar com taxistas.
Porque hoje é sábado.
De não encrencar com seguranças de shopping.
Porque hoje é sábado.
É dia de descanso. E amanhã é dia de Silvio Santos.
Porque hoje é sábado. Amanhã é domingo.
Por isso estou de pé com a claridade, antes das 6 e meia.
Porque hoje é sábado.
Cérebro fudido de assalariado.
Porque hoje é sábado.
E, dando fim aos trâmites, quando já for domingo, bate a depressão.
Toca a música do Fantástico. E a vida há de continuar.
Mas como um bom peão assalariado, deveria me contentar. Com esse dia que me é dado.
Porque hoje. É. Sábado.
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