Será possível amar alguém que já morreu?
Sim, dizem os lutos prolongados.
Agora, é possível amar alguém do passado? A pessoa está viva, mas não é a mesma pessoa. Você ama aquela OUTRA pessoa. Aquele ser, aquele holograma mental, aquele SIMULACRO.
Já se passaram mais de 10 anos.
"As pessoas evoluem".
E eu sou o mesmo adolescente. Quase os mesmos ideais, mas as mesmas certezas.
ELA* (note: na 3ª pessoa, não mais 2ª) quis virar mulher. Ser mãe.
Casamento na igreja, família feliz.
Tradição, família e propriedade.
Gostaria muito de aderir ao modelo e me arrepender de tudo o que eu falei.
Mas se isso não acontecer, era pra ser assim. Já estava "escrito nas estrelas". Já estava resignado com isso bem antes dos 30.
Além do que, se eu tivesse tido filho nos anos 90, já poderia ser avô se as coisas continuassem precoces. E a sociedade só piorou de lá pra cá. Por isso, seria bem possível.
Falar pro cara ou pro filho que não é meu: "comi tua mãe, se fudeu".
Claro que nunca iria fazer isso. Mas passa como situação hipotética-absurda na minha cabeça doentia.
Eu não entendo como as pessoas podem ajoelhar, botar aliança, fazer festa e procriar com as pessoas [usadas].
Com quem já fez com outra pessoa um(a) __________ (preencha aqui com sua atividade sexual bizarra favorita). Todo mundo já comeu a mãe de alguém ou a mulher de alguém. É essa promiscuidade que não me entra.
E nem adianta querer pegar adolescente porque estão piores (mais rodadas) ainda. E tudo bissexualzinha, o que exponencia os "quilômetros".
A não ser que se invente uma máquina do tempo, viaje 100 anos atrás e pague o tal do dote. E "dote" hoje em dia quer dizer outra coisa.
Mas enfim, eu não sei odiar. É mais uma resignação mesmo...
Não deveria falar pra ninguém. Os sentimentos dizem razão a mim e a mim mesmo (me, myself and I). E ao meu holograma mental - o meu simulacro.
Mas o ponto fora da curva sou eu.
Só queria terminar dizendo que eu ainda sou O FILHO. Como naquela música do "Ira!".
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