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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Dr. House da vida real

A primeira vez que fui maltratado por um médico foi em 2007. Era um gastroenteorologista.
Quando contei que estava com refluxo, que tomava muito café, comia coxinha no café da manhã e tomava cerveja Heineken à noite ele me mandou "procurar uma mulher ao invés de ficar consumindo porcaria".
Fiquei mega constrangido, mesmo porque fui na consulta acompanhado de minha mãe, que era sua amiga e indicação dela.
Depois disso me consultei (e inclusive operei) com um dos melhores na área de gastro.
Mas foi este meu primeiro péssimo profissional na área da saúde.
Na verdade, me veio agora a imagem de um médico que dava "uns catos" na secretária na minha frente. Ela sentava no colo dele... Não sei se eram casados, mas era certamente antiprofissional.
Tem também o ortodontista que as mãos cheirando a cigarro tremiam tanto que só faltava pingar sangue do nariz dele na minha boca.
Mas enfim:
Depois disso, usufruindo de meu plano de saúde, conheci diversos profissionais da área da saúde. Três fisioterapeutas homens, umas sete fisioterapeutas mulheres. Todos muito esforçados apesar de sempre recém-formados e mal remunerados;
Mas na área médica me consultei com psiquiatras, ortopedistas e dermatologistas "mandrakes"...
Nesse meio tempo conheci e assisti de cabo a rabo a série inteira do Dr. House.
Nesse meio tempo um amigo foi e voltou da Bolívia formado em medicina. E hoje em dia a exerce ilegalmente no Brasil também.
Mas nada se compara ao Dr. House da vida real que conheci hoje:
Já na ligação para marcar consulta, o cara nem secretária tinha mas tinha disponibilidade pro dia seguinte, enquanto outros somente para dali a uma ou duas semanas ou final do mês.
Lá chegando, vi a placa "Se for horário comercial, entre sem bater e AGUARDE.".
Apesar da porta aberta que separa a sala de espera do consultório, dei boa tarde e aguardei.
Quando fui chamado, apertei a mão do médico, demos boa tarde e ensaiei um "Então, doutor...", no que fui repreendido com a seguinte frase: "- Isso aqui não é INSS. Eu nem sentei ainda!".
Fiquei rindo apesar de não ter sido uma piada.
Algo me dizia que a experiência iria ser boa. Também se não fosse, era só erguer o dedo do meio e dizer "vocês se acham pra caralho, hein, doutorzinho?". Ainda assim precisava pelo menos da minha declaração de comparecimento.
Mas desta vez eu estava preparado.
Ele queria fazer meu cadastro e questionário médico antes. No susto, acabei entregando a carteirinha do convênio junto com minha carteirinha falsa para cinema ao invés da identidade.
Comecei a tentar explicar meu problema:
"- Então, meu pulmão...". Mais uma vez, ríspido: "- Uma coisa de cada vez! Primeiro o nariz!"
Falei que tinha ido a uma otorrinolaringologista antes e tomei mais um esporro:
"- Por que não foi em um médico especializado!?"
Mostrei a receita do antibiótico e antiinflamatório que havia tomado. E falei que tomei um xarope por conta. Novamente:
"- Xarope?? Cadê a receita??"
"- Não tem receita. Isso foi por minha conta."
"- Fica gastando dinheiro com farmácia!!!" - foi seu veredito.
Acabamos falando sobre drogas e álcool, minha alergia à sulfa e sobre internamentos para cirurgias. Mais uma vez:
"- 'Cirurgia do Ronco' é uma farsa!!"
Ao tirar a camisa, questionou sobre "o que era isso" (minha tatuagem com símbolo ateísta). Pensei em responder "- TATUAGEM!".
Mas não iria me rebaixar. Tive que responder duas vezes ao velho: "Ateísmo!".
Ao fundo um quadro cristão. Havia me imposto pela primeira vez.
Ao final, me pediu exames antigos de 3 ou 4 anos atrás (!) para quando (se) um dia eu voltasse. E vaticinou:
"- Você é uma pessoa doente. É obeso. E agora é uma pessoa doente com uma doença pulmonar."

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