Quem sou eu

Curitiba, Paraná, Brazil

sábado, 16 de outubro de 2010

MPU

Recebi uma proposta de emprego para ficar longe da minha família.
Eu sou formado desde 2003, fiz pós... Ganho menos de 2 mil reais.
Para mim 3 mil, 5 mil, 7 mil é tudo a mesma coisa...
Não tenho nem onde enfiar tanto dinheiro.
Dá vontade de negar: não vou, não quero, não posso. Não me encha o saco.
Já tenho um apartamento (é o sonho da casa própria do pobre, não é??)
Não vou dirigir. Odeio carros. Tenho fobia de dirigir. E ódio de vê-los se matando, se xingando, buzinando pelas ruas.
A única coisa que posso fazer com dinheiro é antecipar uma aposentadoria. A ÚNICA COISA.
Mas tem um porém...
Enquanto tiver minha família viva, não há dinheiro que pague minha separação deles. Não vou e não posso. E não quero. E é idiota negar isso. Mas é.
Preciso de meu futuro e blablablablblablabalablabla.
Mas meus pais estão na casa dos 60. Meu pai já infartou, minha mãe fuma. Eu - apesar de ser um PÉSSIMO filho - não quero deixá-los. E amo também minha irmã mais nova. Que tem como sonho morar no Canadá.
Minhas lágrimas são salgadas.
Eu não quero que nada mude. Eu tenho medo de mudanças. Neofóbico.
Me divido entre raiva, amor, tristeza, alegria...
Não sou presente, e nem quero ser um fardo na vida de ninguém. Meu pai me ajuda.
Se eu nego, é por amor. E sou um fardo.
Se aceito, sou cretino e fisicamente distante. E quase que para sempre.
Tenho um amigo com filho pequeno. Fica com ele a cada quinzena.
Calculei que: se os dias contassem seguidamente, ao longo de um ano, ele perderia a infância inteira e um pouco da adolescência. Se uma quinzena passasse em um ano.
Não quero perder minha família. Tenho apoio moral, apoio psicológico, físico, amor. Isso é o minimo: meu pai pagando meu condomínio, os almoços aos domingos com minha mãe! Eu não me vejo perdendo isso. Não é nem um pouco pelo valor monetário. E sim pelo sentimento. Choro enquanto escrevo isso. Fui até agora um péssimo filho. Durante trinta anos.
Eu quero ser um bebê. Eu quero colo! Da minha mãe! Eu quero um apoio do meu pai! Não quero mais ser a ovelha negra, não quero estar longe. Quero vê-los sempre! Não quero!
Não quero ser "adulto" nunca.
Idiotas fingem que nada acontece. Que estão acima de TUDO. Seus grandes salários parecem que ocultam suas tristezas e sua vida miserável, mesmo que com salários de cinco casas.
Eu não quero.
Não quero crescer.
Não quero ser grande, como aquele filme do Tom Hanks.
Se eu dobraria meu salário indo para outra cidade?
-HOJE-
Eu não o faria.
Mas fico triste por pensar que um dia me arrependeria.
É a maldita faca de dois gumes.
É tudo. Meus amigos. Família.
Não sou presente na vida das pessoas. Assumo.
E sou ateu. PORÉM, DESEJO mais trinta anos - ao menos - aos meus pais. Não quero perdê-los!!
Mas não sei até quantos anos ainda teria junto.
Sei que eles gostariam que eu fosse - pelo meu futuro.
Mas isso diminuiria consideravelmente nosso tempo junto - porém - aumentaria meu tempo com eles.
E com isso forma um paradoxo, ou paradigma - nunca soube a diferença.
Somente poderia terminar este texto com esta afirmação que é um lugar-comum, mas nunca perderá valor:
EU AMO MINHA FAMÍLIA!
Então, um passo a cada vez. Frio. Calor. Caixas de fósforo. Whisky. Água. Oasis. Wonderwall. 1996. 2010. 2011.
"Para o alto e avante"
ou
"For eternity and beyond"

Nenhum comentário: