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Curitiba, Paraná, Brazil

sábado, 19 de junho de 2010

Ode ao sábado

Sábado é dia de contrariar o sistema.
Não tomar banho, ir pra rua cheio de remela.
Porque o cabelo hoje tá MASSA! Tá pra cima.
É escovar os dentes com Absolut.
Porque na rússia comunista quem te bebe é a vodka.
Fumar um baseadão e não pingar colírio.
Mais crível que usar óculos é andar com amigo que tem criança pequena.
É ouvir Pauline London no talo,
É cagar pensando no que vai escrever.
É cochilar no meio da tarde e pouco se foder se alguém do trabalho está te seguindo.
É contrariar todas as regras da semana,
Cuspir na cara da hipocrisia.
Acordar na hora que quiser.
Comer em restaurante japonês sem limite por quilo.
Coçar o olho e comer polenghinho
Deitar na esteira massageadora e jogar video-game.
Ah.. O sábado...
Sem nenhum amor pra nutrir, exceto a própria existência.
Nunca li Saramago, e ele morreu ontem.
Prometo (pra mim mesmo -pleonasmo) lê-lo.
Lê-lo me lembra o Lélo, Aurélio, amigo meu.
O tempo é "fair", vento a 23 por hora. Umidade 35, UV 4 (moderado).
Aliás, o tempo é "fair"? Justo?
Em Curitiba o tempo não é jutso.
Me interrompo porque a única ditadura do sábado é meu amigo, ditando que o horário do filho comer é meio-dia em ponto. Obedeço, bora pro japa. A única ditadura do sábado que é acatada.

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